domingo, 11 de novembro de 2007

Projeto de conscientizacão de efeitos e danos ao meio ambiente e impacro social

PROJETO DE CONSCIENTIZAÇÃO DE EFEITOS E DANOS AO MEIO AMBIENTE E IMPACTO SOCIAL - CHACARA 2004 - Vila Anhanguera

Elaborado por : FRANCISCO DE PAULO F. ALMEIDA JR - CREA Nr. ES-010234/D

geopacojr@yahoo.com.br

APOIO : AMVA – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DA VILA ANHANGUERA

A Associação de moradores da Vila Anhanguera, vem por meio deste relatório informar sobre a situação urgente que se encontra uma área verde localizada na Rua Agaraíba nº 58, Vila Anhanguera, Santo Amaro, Zona sul, São Paulo - SP - Brasil.

Esta área, uma antiga chácara, de propriedade particular, está para ser ocupada restando
apenas três meses para o início da obra.

Uma construtora de grande porte, Setin e Agra incorporadora pretendem edificar um conjunto de seis torres de 28 andares no local.

Existem, porém, inúmeros motivos para condenar tal tipo de ocupação em uma área como esta.

1- Projeto:

Este projeto foi elaborado pelo geógrafo Francisco de Paulo F. Almeida Junior CREA nº ES- 010234/D com a colaboração de alguns moradores e tem como objetivo principal denunciar e informar a Secretaria do Verde Meio Ambiente do município de São Paulo sobre a atual situação do terreno. Aos cuidados de Carin Sanches de Morais, da Coordenadoria de Participação Popular.

Esta área pertencia a uma família que manteve sempre a área fechada, pois é uma propriedade particular de aproximadamente dois alqueires e meio.

É uma área que possui uma grande diversidade de espécies vegetais, desde antigas plantações de café, plantio de eucalípitus australiano e algumas espécies de palmeiras australianas (antigo uso do solo-datado por levantamento de 1960) até espécies nativas da Mata Atlântica como o Guapuruvu, capaúba, bambu Brasil, diversas árvores frutíferas, etc.
Esta área segundo relatos de moradores antigos da região, sempre foi um lugar que os moradores aproveitaram como área de lazer.

Nos anos 70 ouve um grande processo de crescimento populacional, prolongando com
maior força para os anos 80, época está que foi a grande década de priorizar os interesses de se preservar o uso do solo.

Ao lado desta chácara, no ano de 1980-81 começa o plano de edificação do golf park, condomínio que se localiza a leste da chácara.
O local segundo antigos moradores do bairro era um depósito de madeira para construção.

A densidade demográfica cresceu no bairro, com um aumento de trânsito de automóveis e pessoas com um total de aproximadamente 500 residências.

Nesta época no exato ano de 1984 mudo para o local onde se encontra na chácara uma família humilde da periferia para tomar conta do terreno, pois já nessa época não era utilizada para nada, a área estava abandonada.

Foram obtidas informações que o terreno ficou sem ser pago o IPTU por mais de 10 anos na gestão de Maluf e Pitta na prefeitura.

A família que mudou para o local e permaneceu por mais de 20 anos tomando conta do terreno, utilizando de técnicas caboclas de uso do solo cultivo diversas espécies de hortaliças e criação de galinha caipira, fora outras técnicas de manejo do solo que não cabe citar aqui.

Na época foi feito apenas um acordo verbal entre o caseiro e o proprietário da chácara, tratando de ficar no local até que o dono quisesse, e assim sucedeu o destino da família sair do local em março desse ano.

Atualmente esta área de manancial foi vendida para a construtora Agra e Setin empreendimentos, a família citada acima (que tomava conta do terreno) não mora mais no local e o projeto de edificação do condomínio especulado já está pronto.

Segundo informações obtidas na secretaria de habitação esta área faz parte da zona de edificações, planejada desde 1975.

Desta forma fica difícil impedir que se construa em uma área de manancial de propriedade
particular; principalmente se o atual proprietário do terreno é uma construtora de grande porte.

Mas acreditamos no poder público no que tange ao monitoramento da área, mantendo uma fiscalização severa, em termos legais, da edificação que será feita no local.

O valor de se preservar um fragmento de mata atlântica (bioma protegido por lei), dentro do ambiente urbano, passa por questões biológicas, ambientais e sociais que não podem ser ignoradas, principalmente por um governo regido por uma legislação que contempla esses itens.

Este fragmento de mata, por suas características intrínsecas e pela sua localização dentro do ambiente urbano, tem os requisitos necessários para ser considerada uma área de interesse
público.

A Mata Atlântica, por sua biodiversidade, única no planeta, é considerada bem comum, patrimônio da humanidade. Este motivo, por si só, já seria suficiente para tombar uma área como essa.

Se juntarmos a isso a constatação de que o bairro e áreas adjacentes não possuem um único parque, nem alternativas de lazer em ambientes naturais, num raio de muitos quilômetros, e que a cidade como um todo carece de áreas verdes, temos um quadro claro da necessidade de sua preservação e de seu manejo.

As possibilidades de benefícios para a população são enormes.

Atualmente o lugar é utilizado pelos moradores para a prática de futebol nos fins de semana, coleta de ervas medicinais.

Seu potencial como área de lazer, pesquisa e educação não estão sendo aproveitadas.

Uma vez tombado, o local pode ser transformado em um parque, com a cobertura vegetal preservada e o campinho de futebol melhorado; além da construção de um centro de convivência com atividades culturais com biblioteca.
Seguindo os moldes de outros parques, como o Parque da Previdência, no Butantã, podem ser oferecidas diversas atividades, como oficinas de arte, escolinhas de esporte, viveiro de mudas, cultivo de ervas medicinais (Guaco, insulina, erva cidreira, Menta, Hortelã).

A área pode vir a servir como objeto de estudo de um segmento de pesquisa crescente nos últimos anos, que é o estudo de fragmentos florestais.
Como já foi dito, as possibilidades são enormes.
O Projeto Suruê, formado por profissionais da USP, já se propõe a promover um plano de manejo florestal e atividades de educação ambiental voltadas para escolas públicas e terceira idade, sob caráter voluntário, no local.

A tribo indígena Guarani da Terra Indígena do Morro da Saudade – bairro Parelheiros, a Associação Xavante Warã (entidade relacionada a projetos etnoambientais e sociais) e a Associação de Moradores da Vila Anhanguera, apóiam também a criação de um centro de estudos e pesquisas no local.

A comunidade local apóia também a criação de um parque para uso comunitário e educacional, ampliando para as escolas do setor público, promovendo desta forma aulas de campo com alunos do ensino fundamental e médio.
No entanto, para que isso seja possível, é fundamental o tombamento da área, como área de interesse público.

Caso a prefeitura autorize a construção dos tais prédios, a integridade biológica do local estará ameaçada, a comunidade perderá um patrimônio natural, perderá o último local verde da área, que poderia vir a ser um parque, com inúmeras possibilidades de lazer, e acima de tudo, perderá qualidade de vida.

Meio ambiente é um bem comum.

Lembrando que a Constituição da República Federativa do Brasil nos deixa claro no artigo 23 inciso VI e o artigo 225:

"Artigo 23- É competência comum da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios:

VI- proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas
formas "

"Artigo 225 - Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo paras as presentes e futuras gerações."

2 – Justificativa:

Alguns pontos sobre a importância ambiental do local:

- Trata-se de um fragmento de mata atlântica em estágio intermediário de regeneração, bioma ameaçado protegido por legislação, que ocupa a área aproximada de dois alqueires (48400 m2) – 3 hectares.

- Estudos recentes (In: Nucci, 2001)) atestam uma correlação direta entre a derrubada da cobertura vegetal e o aumento da temperatura nas áreas adjacentes.

- A área é um refúgio de aves e pequenos mamíferos, que só sobrevivem em áreas florestais, e por encontrarem-se ilhados, dependem da preservação da mata para não se extinguirem do local. Além disso, a área é um centro dispersor de espécies vegetais nativas para as áreas adjacentes.

- O aumento da circulação de veículos e a derrubada das árvores proporcionada pela construção do condomínio irá aumentar a concentração de gás carbônico e outros gases poluentes na atmosfera local, piorando a qualidade do ar , já não satisfatória, na região, que encontra-se próxima a uma área industrial.

- A área possui na sua totalidade um manancial (3 metros de profundidade), onde devem ser feitas análises para constatar a qualidade da água cristalina do local. A existência da cobertura vegetal é essencial para a manutenção dos corpos de água , ainda mais em uma área que apresenta graves problemas referentes aos recursos hídricos, com a degradação das áreas de mananciais, como é o caso desta área de influência, a Represa Billings, que se encontra num raio de 7Km .

As áreas verdes no meio urbano estão ameaçadas pela especulação imobiliária.

A especulação imobiliária em torno de áreas estrategicamente valorizadas pelo uso do solo, que dinamizam o fácil acesso a centros de serviços terciários mais bem equipados que ameaçam áreas de preservação na Zona Sul de São Paulo, que servem de filtro da poluição do ar e área de lazer da comunidade local.

Essa área deve ser supervisionada colocando em prática o art 4o do Código Florestal estabelecendo que “a supressão de vegetação em área de preservação permanente situada em área urbana dependerá de autorização do órgão ambiental competente, desde que um município possua conselho do meio ambiente com caráter deliberativo e plano diretor, mediante prévia anuência do órgão ambiental estadual competente fundamentada em parecer técnico” (Castilho, 2000, p.11).

Quanto mais a cidade cresce menos são os espaços de áreas verdes de preservação, adensando cada vez mais a população em condições precárias. A expansão sem controle privou a cidade de manter condições adequadas de moradia causando prejuízos tanto psicológicos quanto fisiológicos.

“O individuo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro, com a doença e a decadência, causando uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade”(Carta de Atenas, 1933 – Habitação- org.Carvalho, 2000).

Cinco bairros de São Paulo – Cidade Ademar, Jardim Ângela, Jabaquara, Sapopemba e Itaquera- que apresentam alto nível de desemprego e onde verifica-se a inexistência de áreas de lazer, vias abertas de esgoto, são a origem de 20, 7 % dos internos da Febem ( Fonte: Folha de São Paulo, 2000 A: A-1: Elaboração: Carvalho, P. F. de – 2000).

3 - Processo de gestão social e ação transformadora:

Precisa-se levar em consideração a atual realidade política, econômica, social e cultural de nossas cidades e assentamentos humanos. É preciso ter o município como unidade política e competências definidas no processo de planejamento.

Segundo Falcoski,(p. 65, 2000) alguns instrumentos ... “rigorosamente essenciais para uma verdadeira reforma urbana podem ser destacados pelos princípios destacados pelo observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal do IPPUR *:

· Adoção de instrumentos impeditivos do uso de terrenos com fins especulativos nas zonas dotadas de infra-estrutura na cidade: o Parcelamento e a Edificação Compulsório e a Desapropiação;

· Monitoramento da ocupação do espaço físico da cidade, respeitando suas características ecológicas, por meio dos instrumentos de controle do meio ambiente, de Estudos de Impacto e da instituição de zonas de proteção ambiental.

* nota: IPPUR- Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A experiência do uso pode fornecer os códigos de leitura dos valores presentes no ambiente que se quer analisar.

Deve-se verificar o código de Edificações em vista do parcelamento, uso e ocupação do solo levando em consideração o Zoneamento Ambiental, e rever como instrumento jurídico o direito real de concessão de uso.

A seguir serão expostos aspectos intrínsecos da subjetividade que deve-se levar em conta em relação a percepção dos indivíduos que vivem em áreas de mananciais:

Percepção da Educação Ambiental na Apreensão de riscos Ambientais só podem ser reconhecidos como tal – danosos ou perigosos – se assim entendidos pela população afetada.

Fenômenos naturais, tais como enchentes ou pragas, ou gerados por ação humana, tais como erosão e desmatamentos, afetam o meio ambiente, causando prejuízos irrecuperáveis e calamidades.

O problema é ainda mais sério entre as populações carentes, que sofrem com a precariedade de suas condições de moradia e são dos que menos se conscientizam de riscos ambientais inerentes, muitas vezes admitindo que “nunca vai acontecer com eles”ou que são “coisas de Deus ou do destino” (Whyte, 1977).

Percepção - processo mental de interação do indivíduo com o meio ambiente que se dá através de mecanismos perceptivos propriamente ditos e, principalmente cognitivos. Os primeiros são dirigidos pelos estímulos externos, captados através dos cinco sentidos, onde a visão é o que mais se destaca (Gibson, 1966). Os segundos são aqueles que compreendem a contribuição da inteligência, uma vez admitindo-se que a mente não funciona apenas a partir dos sentidos e nem recebe essas sensações passivamente; existem contribuições ativas do sujeito ao processo perceptivo desde a motivação à decisão e conduta (Moore & Gooledge, 1976, FisK & Taylor, 1991) In: (Del Rio, 1991).

Mecanismos cognitivos - incluem motivações, humores, necessidades, conhecimentos prévios, valores, julgamentos e expectativas. Nesse sentido, diversos estudos defendem que a mente exerce parte ativa na
construção da realidade percebida e, conseqüentemente, na definição da conduta, em consonância com o trabalho
de Piaget (1969: 361), para quem “nem tudo o que envolve a inteligência passa pelos sentidos”. Nossa mente organiza e representa essa realidade percebida através de esquemas perceptivos e imagens mentais, com atributos específicos.

SENSACÕES (seletiva / intantanea / imagem) - MOTIVACÃO (interesse / necessidade) - COGNICÃO (memoria / organizacão) - AVALIACÃO (julgamentos / selecão / expectativa) - CONDUTA (opinião / acão / comportamento) = REALIMENTACAO

Esquema do processo perceptivo. In: (Del Rio, 1999).

Percepção - subjetiva para cada indivíduo, admite-se que existam recorrências comuns, seja em
relação às condutas possíveis. Por isto, também se admite que a consideração a repertórios de imagens e expectativas compartidas pela população, assim como sua operacionalização consciente por meio de políticas e programas urbanísticos, são fundamentais para nortear a ação pública. Só assim as transformações suscitadas serão capazes de gerar impactos erdadeiramente positivos, tanto no desenvolvimento econômico e sociocultural e de suas comunidades residentes e usuária (Del Rio, 1991).

Os atributos existentes na paisagem cotidiana servem de base para o planejamento de intervenção, para recuperação da área, obtendo assim um uso sustentável feito pela comunidade. Embora variando de caso a caso, esses atributos têm-se resumido à presença de corpos d’água, mata atlântica nativa, fatores locacionais (transitoriedade de pessoas), microclima local, preservação de avifauna, ervas medicinais, uso feito pelos dosos, crianças e a comunidade em geral.

Rabey (1982) alerta para a necessidade de observar a unicidade existente entre a cultura objetiva (a ecnologia – a produção de transformações materiais) e a cultura subjetiva (a cosmovisão – o conjunto as necessidades e tendências), dentro do que denomina de sistema ambiental.

A relevância psicológica dos problemas ambientais e sua preservação, delineiam-se a partir da consideração e que o ambiente é uma síntese das inter-relações entre possibilidade e oportunidade (em termos físicos) e ignificado e norma (em termos sócio-culturais), não podendo ser concebido univocamente nem como roduto nem como determinante das ações humanas, mas, sobretudo, como contexto, no qual está embutida uma miríade de fenômenos psicológicos, sociais e culturais.

No caso da Chácara em questão apresentada neste trabalho, é preciso levar em conta a
valorização das relações sócio-espaciais, onde se objetiva garantir a permanência dos valores já inerentes ao sistema, preservando a estabilidade indispensável ao sistema, a manutenção dos laços estruturais entre seus componentes e as referências culturais do assentamento familiar do local.
Nesse sentido é de grande importância a convergência do enfoque morfológico- funcional com o perceptivo e o experiencial: comportamento e espaço se aproximam para apontar valores comuns e explicitar o sentido do lugar.

O espaço de especulação imobiliária, verticalizando desestruturará o sentido de uso, acabando com o uso múltiplo feita pela comunidade, gerando a impossibilidade de diversão e usos funcionais benéficos a saúde e bem estar dos moradores do bairro e moradores de outros bairros próximos que também usufruem da área, direta ou indiretamente.

4 - Algumas propostas para recuperação da mata atlântica da Chacrinha.
Metodologia proposta para melhora das condições ambientais atuais:

· Mapear as áreas degradadas do sub-bosque arbóreo – GPS GARMIN -12;
· Calcificar as árvores quebradas próximas às trilhas e fechadas;
· Usar o material natural disponível na própria mata como o cipó e galhos quebrados
na sustentação das árvores (espécies nativas);
· Palestras informativas para a comunidade abordando a importância da preservação
ambiental;
· Aplicação de questionários nos moradores da região considerando a importância da
chácara para o bairro;
· Mutirão de limpeza nas áreas mais movimentadas, onde se acumulam resíduos
sólidos;
· Comparação da umidade e temperatura em áreas descampadas, degradadas e
preservadas;
· Fechar as trilhas que estão vulneráveis a impactos devido ao fluxo de pessoas. Nas
margens das trilhas se encontram espécies de Mata Atlântica nativa. O fechamento
das trilhas será feito com os galhos espalhados na mata impedindo a circulação de
pessoas;
· Levantamento de dados hidrogeológicos para cálculo de recarga de água
subterrânea .
· Plantio de mudas nativas.

Deve ser feita um acordo entre a construtora e a prefeitura sob o arg umento sócio – econômico de impacto na área, devido ao maior número de transitoriedade, multiplicidade de poluentes sanitário no córrego Zuvuvu, trecho que sofre constantes enchentes no verão.
A construção de um condomínio na área irá impermeabilizar o solo, aumentando a vazão da água
podendo causar uma verdadeira catástrofe. Sendo a impermeabilização do solo um dos principais atributos para a criação de APA’s (áreas de proteção ambiental).

5 - Impactos no clima urbano:

Esse trabalho tem como característica principal a preocupação de avaliar as transformações da atmosfera pela atividade urbana, persistindo naquele aspecto de abordagem em termos de homem versus natureza. É fundamental observar o ar livre, descomprometido de influências locais imediatas, havendo normas internacionalmente padronizadas para a localização dos postos meteorológicos. Essas medidas são lógicas, devido a preocupação da elaboração de cartas sinóticas ao nível continental e mesmo universal. Desse modo, muitos fenômenos analisados separadamente têm a preocupação de descobrir efeitos urbanos de transformação local do clima, assim como grande parte das apreciações sobre o clima das cidades nada mais é do que uma descrição climatográfica, ou melhor, o comportamento da atmosfera sobre o lugar.

Portanto o clima urbano é um sistema que abrange o clima de um dado espaço terrestre e sua urbanização.
O espaço urbanizado, que se identifica a partir do sítio, constitui o núcleo do sistema que mantém relações íntimas com o ambiente regional imediato em que se insere. O clima local se insere em climas sub-regionais, regionais e zonais, como pode ser subdivido até os microclimas. A cidade tanto se integra em níveis superiores como se divide em setores, bairros, ruas, casas, ambientes internos, etc. As divisões do ponto de vista sistêmico são inconseqüentes, importando mais as relações entre as diferentes partes em que se compõe ou decompõe o sistema para o desempenho das funções organizadoras.

6 - Dados relacionados com o micro-clima local:oi feito um levantamento do micro-clima local avaliando a temperatura do ar, utilizando aparelhos de precisão: Temperatura (termômetro digital- Minipa Thermomether / APPA MT-520) – termometro emprestado da Universidade Estadual Paulista )Unesp campus de Rio Claro- (Laboratório de Climatologia);
A medição foi feita em fevereiro de 2002 – horário: 15:00 – 15:30.

Constata-se pelos resultados obtidos que houve um considerável acréscimo da temperatura ponto 1 – 18,5o C – ponto 4 – 21o C. Do ponto 1 localizado dentro da mata atlântica até o ponto 4 localizado na Avenida Nossa Senhora do Sabará, se concentra o adensamento urbano da Vila Anhanguera e dista cerca de 600m em linha reta da Chácara até a Av. Sabará.
A diferença de temperatura é marcante, chega a ser de 2,5o C no mesmo horário.

É indiscutível a influência da vegetação no micro-clima local, amenizando a temperatura e refrescando o ar. Com a urbanização ocorrem diversas mudanças no clima de uma cidade, como diminuição da radiação solar, da velocidade do vento e da umidade relativa, e o aumento da temperatura, da poluição, da precipitação e de névoa.

O crescente aumento da urbanização faz com que ocorra um aumento da impermeabilização ocasionada pela inescrupulosa ocupação do solo por concreto. Os corpos d’água e os espaços livres vegetados não encontram lugar na luta pelo espaço. A verticalização faz com que a superfície de concreto, com alta capacidade térmica aumente. Todo esse procedimento leva a uma diminuição da evaporação, a um aumento da rugosidade e da capacidade térmica da área. Estas três modificações são os principais parâmetros que determinam a ilha de
calor encontrada nas grandes metrópoles, segundo Myrup (1969) in Lombardo (1985) (Nucci, 2001).

6.1 – Ilhas de calor:
Uma das conseqüências da ilha de calor na cidade é a formação de uma circulação do ar característica, onde o ar da região central se aquece e sobe, e o ar da periferia converge para o centro da cidade, onde se encontra o pico da ilha de calor, formando-se, assim, um “domo” de poluição sobre a cidade. Este ar, que vem da periferia originariamente limpo e úmido (nem sempre, pois, a periferia pode já estar também poluída), conforme vai atravessando a cidade, que se apresenta sem áreas verdes e com um intenso tráfego, vai adquirindo cada vez mais poluentes e vai aos poucos diminuindo a umidade relativa, chegando a região central carregado de poluentes. Este processo concentra as partículas poluidoras no centro da cidade. A
situação pode ainda se agravar, pois “Devido à absorção de luz solar pelas partículas, especialmente na parte superior do domo, a inversão térmica é intensificada, e os poluentes ficam aprisionados com maior força na cidade” (Marcus & Detwyler, 1972) in Nucci (2001).

“Deve-se lembrar que a ilha de calor, quando instalada, dificulta ou mesmo impede a troca de ar da cidade com seu entorno não-urbanizado, e a circulação do ar passa a processar-se, internamente de forma viciada” (Cavalheiro, 1991) in Nucci (2001).

Sobre o monóxido de carbono afirma-se que os níveis de CO excedem rotineiramente o padrão da qualidade do ar (9 ppm-8h) por uma grande margem em quase todos os locais de amostragem.

A ilha de calor é um fenômeno que intensifica os problemas de poluição no ambiente urbano. Sua dissipação se dá pela ação dos ventos, portanto, o aumento da rugosidade causado pela verticalização das cidades pode atrapalhar a dissipação dos poluentes devido à queda da velocidade do vento. Para amenizar este problema, Marcus & Detwyler (1972) explicam que “(...) uma ideal ventilização deve prever o efeito da ilha de calor, que carrega ar limpo para os centros urbanos. Este desejável sistema é conseguido com um arranjo próprio das áreas verdes, que também vão servir para eliminar os poluentes do domo de poeira”. “(...) em uma escala
maior, um grupo de prédios pode bloquear o ar frio que vem da periferia para o centro, dificultando na dispersão de poluentes e na diminuição da ilha de calor (...), o arranjo dos prédios em uma cidade pode ser benéfico ou prejudicial, (...) em uma área muito quente seria bom arrumar os prédios de forma que o vento pudesse esfriar essa área (Nucci, 2001).

Os parques de conservação são de fundamental importância para reduzir as ilhas de calor, um sistema de verde continuo, ligando a periferia ao centro seria ideal para minimizar o aquecimento da cidade, constituindo corredores de ventilação.

O descontrole processual em que se dá o uso do solo nos núcleos de grande edificações e acumulação de calor produz stress térmico; as áreas comerciais e as concentrações de indústrias bem como as de grande concentração populacional e muito edificada são as que apresentam maiores temperaturas. A íntima relação entre o uso do solo e a elevação das temperaturas internas da cidade impõem uma análise em diferentes escalas.

O uso do solo ou tipos de estruturas construídas tem uma influência especifica no clima local.

Um estudo abordando essa temática pode ser utilizado para desenvolver um mapa de recomendações para os planejadores da cidade.

Com base nas observações do mapa sintético podem levar em consideração os aspectos climatológicos para, por exemplo, evitar o crescimento nas regiões já aglomeradas ou preservar e reestabelecer parques.

O uso de áreas verdes é a melhor técnica para previnir ou reduzir os efeitos do clima, prover áreas residenciais de cinturões verdes; não permitir ruas com tráfego pesado, e não permitir estacionamentos perto das casas; todo estacionamento deve ter fileiras de árvores para previnir o superaquecimento dos carros e reduzir a perda de gazolina por evaporação(Nucci, 2001).

A forma de utilização do solo está diretamente relacionada com a ilha de calor e suas conseqüências.

O levantamento do uso do solo nas cidades é fundamental para o entendimento da dinâmica da ilha de calor.

O planejamento urbano nas cidades grandes e médias deve ter a integração de planos junto com comunidades, orientando e incentivando a preservação do meio ambiente através de educação ambiental; isso deve ser feito com incentivos e financiamentos feito por administrações locais, principalmente nas periferias da cidade onde o abandono por parte do poder público contrasta a situação em que se encontra a degradação ambiental.

7 - Geologia:

O arcabouço geológico da Região Metropolitana de São Paulo é constituído por terrenos do Cinturão de Dobramentos Ribeira representados por rochas metamórficas, migmatitos e granitóides. Assentam-se sobre estes terrenos, sedimentos cenozóicos da bacia de São Paulo e da Bacia do Taubaté, e sobre estes, registram-se ocorrências de depósitos aluviais e coluviais quartenários pouco estud ados.
Na região em específico verifica-se uma vegetação densa sobre sedimentos eluvios-coluviais quartenários, cujo o embasamento é cristalino e a destruição deste fragmento florestal trará pontos negativos para o ecossistema natural, refletido em alguns pontos abaixo descritos:

1 A derrubada da vegetação e posterior construção civil estará contribuindo com a poluição
visual gerando a perda da qualidade de vida devido a falta dos ambientes naturais que é de extrema importância para o desenvolvimento humano.

2 A construção civil acarretará a produção de novos resíduos sólidos, sendo que qualquer
empreendimento que será realizado produzirá poluentes para a bacia sedimentar, que em específico tem como destino as águas superficiais do rio Pinheiros situado na bacia do Guarapiranga.

3 As progressivas enchentes que são rotineiras para os moradores que vivem na Avenida
Engenheiro Alberto de Zagottis, sobre o córrego Zuvuvu que foi canalizado e que consiste na principal drenagem da região em específico, são resultados, principalmente, da crescente impermeabilidade do solo causada pela devastação da cobertura vegetal, dos problemas geotécnicos devido a canalização do córrego que ali se situa, que resulta na perda natural das chamadas bacias marginais dos ambientes fluviais, que são áreas inundadas pelo excesso das águas da chuva durante o verão.

4 Na região em estudo existe um pólo industrial que contamina as águas superficiais da bacia
do Guarapiranga, e localmente o córrego Zavuvu que tem como destino as águas do rio Pinheiros. Com a possibilidade de novos empreendimentos neste fragmento florestal, verificamos, além da perda da recarga natural, um aumento das enchentes sobre o córrego Zavuvu e a produção de resíduos sólidos que resultam no agravamento da contaminação da bacia do Guarapiranga.

5 Em relação ao desmatamento da vegetação verifica-se uma perda incalculável do patrimônio
genético da fauna e flora. Um aumento da erosão causada pelo escoamento superficial da água da chuva, que se dirige diretamente para o esgoto pelas vias de canalização da futura obra, perdendo com isso a recarga natural dos reservatórios de águas subterrâneas nesta região, uma vez que a região está próximo ao córrego canalizado, que pelas constantes enchentes nos meses de maior precipitação constituem uma área de risco para a continuidade da impermeabilização da região analisada.

6 A derrubada da vegetação e posterior construção civil estará contribuindo com a poluição
visual gerando a perda da qualidade de vida devido a falta dos ambientes naturais que é de extrema importância para o desenvolvimento das criança e da paz para os idosos, moradores do entorno da área a ser afetada.

7 A construção civil acarretará a produção de novos resíduos sólidos, sendo que qualquer
empreendimento que será realizado produzirá poluentes para a bacia sedimentar, que em específico tem como destino o rio pinheiros.

8 Quanto a erosão, fica claro que a cidade de São Paulo mostra uma carência em projetos de
zoneamento ecológico, sendo que as progressivas enchentes são resultados, principalmente, da
impermeabilidade do solo causada pela devastação natural em pró da construção civil com o conseqüente aumento da erosão superficial, também verifica-se a crescente produção de resíduos sólidos gerados pelo novo empreendimento, que resulta na sobrecarga das vias de escoamento de esgoto que na região em específico, sofre com enchentes causadas pelo rio canalizado na Avenida .......

9 Em relação ao desmatamento da vegetação verifica-se uma perda incalculável do
patrimônio genético da fauna e flora, um aumento no escoamento superficial da água da chuva que se dirige diretamente para o esgoto, perdendo com isso a recarga natural dos reservatórios de águas subterrâneas nesta região.

Em escala geológica verificamos que a derrubada da ve getação irá proporcionar a perda da qualidade de vida,o aumento do escoamento superficial da água da chuva proporcionado pela impermeabilização do solo, o aumento de resíduos sólidos gerados pelo novo empreendimento que agrava a poluição das águas superficiais, além da incalculável perda do patrimônio genético da flora e fauna. A água subterrânea está sendo utilizada cada vez mais pela sociedade pois não requer custo elevado no seu tratamento em comparação com as águas superficiais que apresentam-se poluídas pela falta de tratamento dos esgotos, sendo este o principal motivo da
conscientização da sociedade da necessidade em preservar todos os patrimônios florestais porque estes ambientes naturais possuem características de proporcionar a recarga natural de reservatórios de água subterrânea que são a fonte de água para a sociedade, que estará sendo lesada pela construção e conseqüente impermeabilização do solo na região em específico.
Sondagens subterrâneas feitas na Chácara :

· Geologia- 21/7/2003 – 23/07/2003 – data do inicio da sondagem no setor de
mata de borda – Perfuração até 23m de profundidade é encontrando
terra firma (argila compacta e plástica - amarelo mostarda) – podendo
dar sustentação para a verticalização.

· Segunda perfuração – bananeira do fundo - 24/07/2003 – até 3m (argila
arenosa marrom clara)- encontra-se o nível freático grande quantidade
de água.

· Terceira perfuração – 28/07/2003 – área sul de cultivo de mandioca.

· Quarta e quinta perfuração – 29/07/2003 e 30/07/2003 - área de divisa sul
da mata secundária atlântica com o cultivo de mandioca.

· Sexta perfuração – 31/07/2003 sudoeste do cultivo da mandioca.

· 7o – 8o - perfuração – 1/08/2003 – casa de ferramentas.

· 9o perfuração – 2/08/2003 - divisa mata/ mandioca ao fundo.

· 10o perfuração – 3/08/2003 – fundo chácara.

· 11o perfuração – paralelo ao bambuzal.

· 12o - 13o - 14o - perfuração – campinho.

· 15o – entrada chacrinha pelos fundos.

Material e método:

O Material utilizado nesta pesquisa :

· GPS Garmin 12
· Maquina fotográfica
· Mapas da cidades do Brasil – 1: 12,500 – informação cartográfica de 1971 edição – 1- IGGSP São Paulo Folha 7
· (termômetro digital- Minipa Thermomether / APPA MT-520) – termometro emprestado da
Universidade Estadual Paulista )Unesp campus de Rio Claro- (Laboratório de Climatologia);
· programa de georeferênciamento Garmin Map Source - World Map

O método utilizado foi o Direto e o indireto. No método direto foram feitas visitas ao campo, coletando
dados primários do local. Também foi utilizado questionários sobre a importância da preservação e informações de moradores antigos da região. No método indireto foram feitos os levantamentos bibliográficos, georeferênciamento do terreno discussões e reuniões sobre a temática do local.

8 –Bibliografia:

Carvalho, P. F – Instrumentos legais de Gestão Urbana: Referências ao Estatuto da cidade e ao Zoneamento.
Estatuto da Cidade- Política Urbana e Cidadania/ org: Roberto Braga e Pompeu Figueiredo de Carvalho. Rio
Claro – Deplan- UNESP- IGCE, 2000.
CETESB- Relatório de qualidade das águas interiores do Estado de São Paulo- Governo do Estado de São
Paulo- Secretaria do Meio Ambiente 1997. – São Paulo CETESB, 1998.
Constituição da República Federativa do Brasil / Org: Iracema Almeida Valverde, Carlos Sampaio, Dilene da
Paz Gomes e Rosanie Martins da Veiga-2o ed. Atualizada até a EC n° 38, de 12/06/2002- Rio de Janeiro:
Expressão e Cultura, 2002.
Constituição do Estado de São Paulo de 5 de outub ro de 1989- 6o edição/org: Alexandre de Morais- ed. Atlas
S.A- São Paulo, 2002.
Del Rio, Vicente. Desenho Urbano e Revitalização na área Portuária do Rio de Janeiro: A Contribuição do
Estudo da Percepção. Tese de Doutoramento. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de
São Paulo, 1991.
Del Rio, Vicente & Lívia de oliveira- Percepção Ambiental – A experiência Brasileira. Ed. Da UFSCar, 1999.
Lombardo, M.A – Ilha de calor nas metrópoles. O exemplo de São Paulo. São Paulo, Hucitec, 1985, p.244.
Nucci, J.C – Qualidade Ambiental & Adensamento Urbano- Um estudo de ecologia e Planejamento da
paisagem aplicado ao distrito de Santa Cecília (MSP). Ed. Humanitas – FFLCH/USP. São Paulo. 2001.
Piaget, Jean. The Mechanics of Perception. Nova Iorque: Basic Books, 1969.
Rabey, Mário. La Antropologia y el Sistema Ambiental. In separata de Anbiente 15. Buenos Aires: 1985.
Whyte, Anne. Guidelines for field studies in Environmental Perception. Technical Notes 5. Paris. UNESCO,
1977.
Gibson, James. The Senses Considered as Perceptual Systems. Boston: Houghton Mifflin, 1966.

9. Agradecimentos especiais :

GEÓLOGO : Bruno Calado
BIÓLOGO: Carlos Ernesto Cândia

* O projeto foi modificado apenas com retirada de fotos e mapas por Vivian Jablonski para ser melhor adaptado no BLOG, porém o conteúdo e' autêntico.

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